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Quaresma é um tempo privilegiado para revisão de conceitos e conversão

09/03/2018

Da Redação | Canção Nova

Foto: Divulgação

A Quaresma, em poucas palavras, pode ser definida como um tempo em que se aproxima de Deus. Os quarenta dias em que Cristo passou pelo deserto retratam seu sacrifício e força, que nos inspiram a seguir na caminhada cristã. O jejum, prática tão comum entre os católicos nesta época do ano, pode ser uma ótima oportunidade de alcançar esta proximidade com Cristo.

 

A prática vivida nestes 40 dias associa o cristão ao sofrimento de Cristo e faz com que cada um olhe e pense no próximo. “O jejum nos faz entender o que é essencial e o que é secundário em nossa vida”, explica o padre José Carlos de Melo, que cuida da Paróquia São Dimas, em Guaratinguetá (SP).

 

Durante a Quaresma, se passa por um período de interiorização, de análise das falhas e de reparação dessas distorções por meio da oração, da esmola e do jejum. “O jejum é o diálogo da gente com a gente mesmo, para que possamos nos refazer na caminhada com Deus”, explica o religioso.

 

Ter domínio sobre as ações e desejos também são práticas que os cristãos podem exercitar durante o jejum, sem nunca se esquecer da prática da justiça, que os antigos costumavam dividir em três atitudes: a oração, a esmola (que hoje podemos praticar por meio da solidariedade) e o citado jejum.

 

“Entendemos o jejum como nos privarmos de algo importante, mas, na verdade, vamos perceber que não é isto. O jejum nos associa ao sofrimento de Cristo, ele nos ajuda a termos mais domínios em nossas paixões e sentimentos ruins. Tudo isto é mais forte durante a Quaresma porque é quando a Igreja nos chama para olharmos mais para nós mesmos”, reitera o padre.

 

Contraindicação e novas maneiras de jejuar

Não há contraindicação para as pessoas a praticarem o jejum, salvo as mais idosas que passem por problemas de saúde ou precisem se alimentar de maneira mais rigorosa. “Pessoas com 65 anos em diante, ou que tenham problemas de saúde, são dispensadas do jejum”, esclarece o padre José Carlos.

 

Há, porém, outras maneiras de jejuar. Alguém pode, por exemplo, deixar de assistir a um programa televisivo que gosta muito e, neste período, dedicar-se exclusivamente à família. “O jejum não tem que ser necessariamente de alimentos, há outras formas de praticá-lo. O próprio Papa Francisco já nos alertou sobre isto como, por exemplo, praticar o jejum em que você evitar falar mal sobre outras pessoas, não necessariamente precisa envolver alimentos”, diz o sacerdote.

 

E o jejum pode, sim, estender-se às tecnologias que cercam o dia a dia das pessoas. Por que, por exemplo, não tentar um jejum em que a pessoa se abstém de contato com redes sociais? “Estas formas são muito válidas, porque nos colocamos em situações de escravidão. Quando começo a jejuar com relação à internet, percebo que estou gastando tempo demais em redes sociais e não dou atenção à minha família, ao meu filho e às minhas coisas. A função do jejum é me fazer perceber que estou dando atenção demais a coisas secundárias”, afirma o religioso.