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Salve, salve, o poeta Carlos de Assumpção!

27/11/2017
Da Redação| Do Portal GCN
Foto: divulgação
 
“Eu sou Carlos de Assumpção /Sou irmão de todo mundo / Todo mundo é meu irmão (...) / Mas o racista não / Racista não é meu irmão”. Neste trecho da poesia intitulada Irmão de Todo Mundo, de sua autoria, o professor, escritor, poeta, advogado e militante resume a que veio. Nos últimos tempos, no auge dos seus 90 anos de vida, Carlos Assumpção é um desinquieto. Com passos lentos ele vai longe e não encontra barreiras para levar pessoalmente sua arte e incentivar principalmente as novas gerações a seguirem por este caminho, em especial a juventude negra.
 
Neste último sábado, dia 18, na Concha Acústica, foi lançado o Zine Poemas Escolhidos, pela Artefato Edições. O livro é uma coletânea de poesias do poeta ao longo de sua carreira, que soma duas obras lançadas: Protesto (1982) e Quilombo (2000). 
 
Nascido em 1927, no dia 23 de maio, na cidade de Tietê (SP), Carlos diz que o interior do Estado, mais precisamente Franca, é a cidade que o escolheu e o acolheu. Tido como um dos maiores poetas negros vivos da literatura brasileira, Carlos faz questão de ressaltar que este reconhecimento atual veio diante muitas lutas e frustrações. “Eu quero é passar a minha mensagem. Esse de ser o maior ou melhor, não faço muita questão. Quero que me ouçam”.
 
Autor de Protesto, lido pela primeira vez em 1956 na Convenção Paulista do Negro e 1º lugar no concurso de Poesia Falada de Araraquara (SP), Carlos é membro da Academia Francana de Letras, formado em Letras e Direito, pela Unesp e Faculdade de Direito de Franca, diretor do Coral Afro-Francano e um dos fundadores do Grupo Veredas. Além disso, o escritor premiado tem o texto mais famoso traduzido em inglês, francês e alemão. 
 
Carlos fez o Curso Normal destinado à formação de professores na qual ele poderia lecionar para o ensino fundamental. Nesta época, as oportunidades não surgiram e ele precisou atuar como ajudante de caminhão, servente de escola e outros serviços braçais. “Eu queria era dar aula, mas não me davam oportunidade”. Em uma emissora de rádio, Carlos foi ao vivo pedir por um emprego em sua área de formação. Mesmo com o apelo, não teve sucesso. Conseguiu outra vaga, para atuar em um laboratório, mas ainda não era o que almejava. 
 
Mais tarde, ele tentaria novamente dar início a carreira de professor. A oportunidade surgiria em Rinópolis e em Tupã. Posteriormente, ele veio tentar oportunidades no interior de São Paulo e chegou a Rifaina com a família. Lá, além de lecionar, atuou como vereador. Anos depois, descontente com a política, conseguiu emprego em Franca e aqui conseguiu se projetar. No dia que antecede o dia 20 de novembro, data que lembra a morte do guerreiro Zumbi dos Palmares e celebra a Consciência Negra, ele relembra sua história e o que o faz permanece